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Brasil passará a tratar em massa vítimas de doenças parasitárias

Saúde. A exemplo de outros países, Ministério da Saúde dará remédio a populações em áreas de risco de esquistossomose e helmintíases sem pedir exames para confirmar infecções; Norte e Nordeste são prioritários; combate ao tracoma será acelerado.

O Brasil vai mudara estratégia de tratamento de três doenças negligenciadas ainda presentes: tracoma, helmintíasese esquistossomose.

A partir deste ano, populações de áreas onde as infecções parasitárias têm alta prevalência passarão a ser tratadas em massa - a medicação será oferecida a todos os que estão em risco, independentemente de um exame confirmar a contaminação. O tracoma, transmitido por bactéria, terá combate acelerado.

"Não dá para tratar deumproblema desses como se estivéssemos na Finlândia. É preciso praticidade", afirmou o secretário de Vigilância do Ministério da Saúde, Jarbas Barbosa. Ele conta que atualmente são necessárias pelo menos quatro consultas até que uma pessoa com sintoma de helmintíase passe a ser medicada." Ela procura o médico num dia, entrega o material coletado para exame em outro, busca o resultado e somente depois tem a receita para tratar o problema." Diante de tanto trabalho, afirma o secretário, muitos pacientes - sobretudo aqueles que vivem em regiões mais pobres - acabam desistindo antes mesmo de o diagnóstico ser concluído.

"Enquanto isso, uma criança de classe média já na primeira consulta tem receita para fazer o tratamento", diz. O tratamento em massa há anos é colocado em prática em outros países. No México, diz Barbosa, há pelo menos 15 anos a terapia das helmintíases é feita em grupo. A resistência em adotar estratégia semelhante no País é atribuída às características das doenças. Todas estão associadas à baixa cobertura de saneamento básico, de abastecimento de água e à pobreza. Por isso, o argumento prevalente era o de que não adiantaria a penas dar medicamentose problemas estruturais não fossem resolvidos - pois, depois de tratadas as doenças, poderiam voltar. "Isso gera imobilismo. Além disso, há uma questão ética: o remédio é barato, eficaz, está disponível.A oferta tem de ser facilitada."
Helmintíases, esquistossomose e tracoma estão localizadas em algumas áreas do País, sobretudo nas Regiões Norte e Nordeste. Embora os números nacionais não sejam expressivos, nos locais em que tais doenças são encontradas a prevalência entre a população é bastante expressiva: algumas parasitoses chegam a atingir 70% do grupo avaliado.Crianças com esquistossomose e helmintíases têm maior risco de anemia e comprovadamente apresentam menor aproveitamento escolar - fator que acaba ajudando a perpetuar a pobreza. Otracoma, por sua vez, quando não é tratado pode levar à cegueira.

"No Brasil a perda total da visão não acontece mais. Mas, em alguns locais, a prevalência da doença chega a 5%.A meta é erradicar a infecção nos próximos anos", afirmou Barbosa.

Mapeamento. A estratégia da secretaria é chegar à população de risco por meio de programas de saúde na escola ou de agentes de saúde. Um mapeamento de cidades consideradas prioritárias para essas doenças foi feito e recursos extras foram concedidos para incentivar o tratamento. A ação também busca mudar os parâmetros para avaliação em áreas de risco. "Não podemos aceitar que prevalência de esquistossomose seja considerada alta somente quando ultrapassar 50%, como era no passado. Hoje, 25% já tem de ser considerado um número alto. A concessão de recursos extraordinários também foi feita para hanseníase, outra doença negligenciada presente no Brasil. No caso de helmintíases e hanseníase, áreas de maior risco estão sobrepostas. Nortee Nordeste, seja em periferia de centros urbanos, seja no interior", afirmou. A esquistossomose, por sua vez, está mais presente em áreas rurais.

Saiba mais Estados onde estão municípios considerados prioritários para esquistossomose: Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais, Pernambuco, Rio Grande do Norte, e Sergipe.

Estados onde estão municípios considerados prioritários para helmintíases:
Acre, Amazonas, Bahia, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe.

Fonte: Saúde na mídia.

Brasília, 30 de janeiro de 2012
Ministério da Saúde | Institucional

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